terça-feira, 12 de março de 2024

Mudança dos arrastos

 


  A certa altura é necessário mudar os arrastos, nas portas de arrasto. Calhou ao 2º Motorista, o Bola. Depois de mais um longo arrasto à palmeta, aproveitou-se para mudar os arrastos, enquanto os pescadores processavam o peixe. Na cozinha continuava o serviço, com o ajudante a preparar a caldeirada das 6 da manhã.


Alguns materiais necessários



O Mestre-de Redes Ravara que foi evacuado de helicóptero

O 2ºMotorista Bola soldando um arrasto novo











Há que o moldar






Um pescador que ficou para ajudar o 2º Motorista

O seu ajudante ficou a tomar conta da máquina








Fernando o Ajudante de cozinha durante o seu Quarto de serviço


Prepara um peixe para a caldeirada das 6 da manhã






Depois de uma luta intensa, Mário (o Observador) consegue domar uma enorme alforreca


A palmeta do lance

A gigantesca alforreca já domada

Umas palmetas

O ouro negro


A tripulação prepara-se para o processamento




  

segunda-feira, 11 de março de 2024

Azáfama na cozinha

 


  Na cozinha a noite era de azáfama intensa, o Cozinheiro preparava a pastelaria, enquanto que era necessário também, preparar uma pizza para a meia-noite. Decidimos então, dar uma ajuda de forma a aligeirar um pouco as tarefas.


Os pasteis antes de ir ao forno


O Cozinheiro a moldá-los



Agora vão a cozer

Entretanto enfarinha-se a bancada

E trabalha-se a massa





O recheio para a pizza

Unta-se a bandeja com manteiga

Coloca-se a massa por cima

Unta-se com molho de tomate


Cebola

E queijo



Por cima coloca-se o recheio






Chouriça vermelha, preta, bacon, fiambre e cogumelos





No final polvilha-se com orégãos

Leva também azeitonas verdes e pretas

Entretanto saem os pasteis do forno já cozidos



E entra a pizza


quinta-feira, 7 de março de 2024

Evacuação de um ferido grave

 


  Depois de dar apoio ao 2º quarto, que terminava o seu merecido jantar e de passar pela cozinha, subi ao meu camarote e descansei um pouco antes da "caldeirada" da meia-noite, para dar apoio ao 1º quarto que estava  para sair. Adormeci um pouco e acordei com uns gemidos estranhos, não eram gritos normais, eram mesmo estranhos e vinham dos corredores do navio. Desci e tentei localizar a sua proveniência, dirigi-me ao convés e para grande surpresa minha, vi o Substituto do Mestre-de-Redes deitado no convés, com o braço trilhado debaixo da corrente do  aparelho de pesca(o navio estava a virar o aparelho), que precede a bola de calão. O navio estava na manobra de recolher o aparelho de pesca. Imediatamente subi ao meu camarote e rapei a toalha de rosto para envolver o braço.

  Quando cheguei ao convés só vi o ferido preso na corrente, o filho, Cozinheiro, manobrou o guincho aliviando os cabos, apareceu o Contramestre e o Paulino (Empregado de Refeitório), juntos conseguimos libertar o homem.

Envolvi-lhe o braço esquerdo na toalha, fiz com ela um garrote e o Paulino pegou-lhe ao colo. Juntos levamo-lo para a enfermaria. Desembrulhando o braço verifiquei, que a mão estava totalmente solta o rádio estava desencaixado e o cúbito fragmentado e parte desaparecida (ossos do antebraço). A grande sorte é que os vasos sanguíneos estavam intactos. Encaixei a mão da melhor forma possível, mas em relação às talas de imobilização, era outra história. Só  existiam  talas de alumínio para dedos, então coloquei-lhe uma tala na parte interna do braço e pedi ao Contramestre um pedaço de madeira, para fazer uma tala externa. A tripulação que estava comigo  foi inexcedível e num ápice apareceu uma tábua de rodapé, que tinha sobrado de um melhoramento do navio. Liguei-lhe então totalmente o braço, dei-lhe a comer umas bolachas de baunilha (os pescadores têm o hábito de entrar ao serviço em jejum), para lhe poder dar então um opiáceo (Tramal) para as dores, já que todo o tratamento foi feito a sangue frio, aproveitando o facto de o braço estar "quente".

  Preparei então o relatório clínico, em inglês, a descrever os ferimentos, e seus acondicionamentos, com os medicamentos envolvidos e respectiva alimentação.

  O Manuel Mendes (Timoneiro) esteve sempre em contacto e aproveitando o facto de falar inglês, conseguiu que os canadianos facultassem um helicóptero. Mas havia um problema, o navio estava fora das 200 milhas(alcance máximo da aeronave). Então, ficou combinado com a rádio médica canadiana, que o navio navegaria para dentro das 200 milhas, no  entanto o estado do tempo também não era nada propício, ventos muito fortes e mar alteroso.

  Por volta das 06.00h da manhã, surge o helicóptero para fazer uma primeira tentativa, falhou, o tempo não estava nada propício e a aeronave só dispunha de dez minutos, antes de se esgotar o combustível para um retorno seguro. Havia de voltar à base, reabastecer para uma nova tentativa e esperar que o tempo amainasse um pouco.

  Voltou cerca das 07.00 da manhã, o tempo abateu um pouco e conseguiu resgatar com êxito o ferido. Ficam aqui duas filmagens realizadas pelo nosso Observador, que dão conta da ocorrência.